O Chile combina diversidade natural, cultura e aventura em um território cercado pela Cordilheira dos Andes, pelo Deserto do Atacama, pela Patagônia e pelo Oceano Pacífico. O país conquistou o título de melhor destino turístico de aventura em 2019, pelo World Travel Awards, mas também atrai viajantes por uma tradição que perpassa sua história: a produção de vinho chileno.

Conta-se que as primeiras parreiras teriam sido trazidas para a América pelos colonizadores espanhóis ainda no século XVI. Outra versão também sugere que o cultivo já havia começado com sementes de uvas-passa. Em todo caso, as primeiras plantações no Chile são atribuídas à disponibilidade dos evangelizadores. Por sorte, encontrou-se clima adequado e solo fértil e assim o cultivo se expandiu a partir da cidade de Concepción, com uma variedade de uva conhecida como País.
Desde então, surgiram os primeiros vinhedos protegidos por barreiras geográficas naturais e que também representavam uma forma de utilização das terras. Com a independência e a modernização do país, a produção vitivinicultora foi impulsionada. Muitas das vinícolas visitadas atualmente, como Matetic, Casas del Bosque, Vik, Viu Manent, Montes, Santa Ema, Tarapacá e Santa Rita, fazem parte desta história pioneira.

Curiosamente, a decisão de importar cepas alemãs e francesas, antes da devastação dos vinhedos europeus pela praga da filoxera no século XIX, converteu-se em uma marca genética da qualidade das uvas chilenas. Originalmente, os vinhos tintos são compostos por variedades como cabernet sauvignon, merlot, carmenere, cabernet franc, malbec, syrah, pinot noir, dentre outras. Já entre os brancos, as uvas que se destacam são o sauvignon blanc e o chardonnay.

Seis grandes regiões concentram essa diversidade e se dividem em quase vinte vales vitivinicultores, com mais de duzentas vinícolas em todo o país. Cada vale expressa uma combinação própria de clima, solo, paisagem e processo de produção. Por isso, o Chile exporta seus vinhos para diversos mercados e recebe viajantes interessados em conhecer de perto sua cultura vinícola.
Os vales de Colchagua, Casablanca e San Antonio mostram bem essa variedade. Na região central, o Vale de Colchagua combina montanhas, clima mediterrâneo e tradição agrícola para produzir principalmente vinhos tintos. No caminho entre Santiago, Valparaíso e Viña del Mar, o Valle de Casablanca aproveita a influência da cordilheira da costa e se destaca pelos vinhos brancos, além de desenvolver cepas tintas em condições mais frescas. Próximo ao litoral, o Valle de San Antonio revela a força da influência marítima, valoriza a uva syrah e conecta a cultura do vinho a paisagens simbólicas como Isla Negra, onde Pablo Neruda também celebrou essa bebida em sua obra.
“Vino color de día, vino color de noche, vino con pies de púrpura o sangre de topacio, vino, estrellado hijo de la tierra, vino…”